Conheça Katulemburange

Luiz Antônio Katulemburange Amorim nasceu na Bahia, e desde muito jovem apresentou comportamento incomum e problemas de saúde que nunca se solucionavam com intervenções médicas. Com a idade de 12 anos foi entregue às mãos da Yakaku Dahan Suru, que o diagnosticou com problemas espirituais que só se solucionariam caso o pequeno Luiz fosse iniciado no culto aos orixás. Dahan Suru era uma grande sacerdotisa de candomblé em Ilhéus, e na altura já contava com 49 anos de santo – havia sido iniciada em 1915 pela sacerdotisa Damuxexebi, a Bela Baiana, que era filha de Mãe Tança Nsumbu Nanã, filha de santo da africana Gaiaku Satu que, chegada do Daomé em 1830, havia fundado em Salvador o Axé Ilê Kpo Eji, a fonte irradiadora do candomblé de nação Jeje-Savalú.

Na década de 1970, Katulemburange, já feito sacerdote de candomblé, transfere-se para São Paulo em busca de um tratamento de saúde mais adequada para sua mãe doente. Aqui sua mãe recebe o tratamento, mas por orientação dos orixás, Katulemburange se estabelece no bairro do Jabaquara, e não mais volta para a Bahia. Sempre procurado por uma multidão de pessoas que solicitavam seus serviços para a resolução de problemas, e maioria espirituais, e já com um séquito bastante volumoso, Katulemburange transfere-se para Paralheiros em 1980, e lá funda sua roça de candomblé, o Asé Ylê de Hozoouane.

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Segundo Katulemburange, muitas pessoas o procuravam para auxílios espirituais, mas o que ele percebia é que as “pessoas tinham fome”. Tendo em conta toda a pobreza, toda a escassez de serviços e a intensa vulnerabilidade social da população do entorno do Ylê, Katulemburange não poderia ficar alheio a tudo isso. Por isso começou a promover distribuição de alimentos e suprimentos, e a procurar meios de conseguir prestar uma assistência social mais sólida, uma vez que os primeiros esforços tinham como respaldo somente os recursos do próprio Ylê. Por essas necessidade foi fundada no ano 2000 a Sociedade Beneficente Centro de Cultura Afro Brasileira Asé Ylê do Hozooane, que teria condições jurídicas para receber apoio de instâncias do poder público para a manutenção dos serviços sociais e culturais.